27.8.05
EGL

Elegant Gothic Lolita? EGL? Se estes termos não lhe são familiares ou fica desconfiado(a) sobre o que significa, dando-lhe eventualmente alguma conotação pornográfica ou afim, é o leitor ideal, pois quando terminar de ler este pequeno texto será um(a) especialista sobre o assunto ;)

Num recente evento na cidade invicta dedicado a manga e anime, algumas das participantes distinguiam-se pelos seus trajes. Quem as via, provavelmente julgava tratar-se de cosplay. Cosplay? Também não conhece o significado? Então, vamos por partes. Cosplay é a junção de duas palavras inglesas: costume + play. Começou por ser uma subcultura japonesa, caracterizada por os seus adeptos fantasiarem-se de personagens de manga, anime e videojogos, embora também o fizessem, em menor grau, quanto séries de tv, filmes ou bandas de música pop japonesas. Entretanto, o cosplay internacionalizou-se e presentemente significa apenas o usar uma fantasia, sendo algo frequente nos festivais e convenções de banda desenhada, anime e ficção científica, entre outros, um pouco por tudo o mundo.

Mas não, não se tratava de cosplay, mas sim de EGL. E afinal o que é o EGL? Trata-se de uma subcultura japonesa, usada por adolescentes e jovens mulheres (o correspondente masculino é o EGA: Elegant Gothic Aristocrat), enfatizando um estilo vitoriano (gothic) de uma boneca de porcenala ou de uma criança daquela época (lolita). Tendo surgido entre 1997 e 1998, alguns autores acreditam ser uma reacção à subcultura kogal (mini-saia, botas de salto plataforma, muita maquilhagem, cabelo pintado - normalmente, louro -, bronzeado artificial e acessórios de designer). E não, EGL não é o paralelo da cultura gótica ocidental no Japão (onde essa subcultura também existe, embora não seja proeminente).

O EGL foi influenciado e popularizado pela imagem das bandas femininas de Visual Kei (VK). VK? OK, eu explico. VK é um ramo do J-Rock (rock japonês), caracterizado não pelo estilo de música mas pelas elaboradas roupas dos músicos. Entre eles, distingue-se Mana (inicialmente na banda Malice Mizer e agora no seu projecto a solo Moi Dix Mois), a qual criou a sua própria etiqueta (Moi-même-Moitiê).

O EGL caracteriza-se por uma combinação de preto com branco (usualmente rendas), decorada com laços e fitas. Blusas rendadas, saias pelo joelho e com crinolina, meias longas e sapatos com salto plataforma ou estilo boneca completam a vestimenta. Os acessórios incluem aventais do estilo Alice no País das Maravilhas, pequenos chapéus, e vários objectos em renda (guarda-chuvas, luvas, faixas para o cabelo). O cabelo imita o das bonecas de porcelana, sendo normalmente o natural preto, mas podendo assumir outros tons (castanho, vermelho e, raramente, o louro). A maquilhagem é utilizada moderadamente, centrando-se no eyeliner negro e pele pálida, embora se possa vislumbrar batom vermelho, negro ou azul (mas o mais comum são os tons claros). Bolsas (por vezes decoradas com morcegos, caixões e crucifixos), caixas de chapéus ou ursinhos de pelúcia góticos são também frequentemente vistos a acompanhar as EGL.

Embora este estilo seja normalmente utilizado em ocasiões especiais e aos fins-de-semana, os adeptos mais fervorosos utilizam-no diariamente, inclusivamente no emprego.

Aos poucos, este estilo tem-se internacionalizado, já se encontrando tal em convenções na Europa, EUA ou Brasil. Eu é que, pelos vistos, andava distraído...

ps: este texto foi escrito especialmente para ser publicado no PdUBT por comemoração do seu 4º aniversário.

Posted at 19:39 by enanenes

 

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